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Imunoterapia diminui a sensibilidade alérgica

Pacientes devem reconhecer os sinais precoces das crises alérgicas, alerta José Luiz Rios, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.

O que é imunoterapia e quais os objetivos dessa abordagem ?

É um tratamento que visa modular o sistema imunológico, quer seja para estimulo a combater um câncer ou uma infecção, ou para dessensibilizá-lo para que ele deixe de reagir contra substâncias que não  são nocivas ao organismo (ex: alergias). Em relação á alergia, a imunoterapia é o tratamento por meio do qual, doses progressivamente maiores de uma substância alergênicas (alergeno), são administradas a um paciente alérgico a essas substância, com o intuito de estimular o desenvolvimento de uma tolerância e, assim, diminuir a sua alergia a tal substância. Isso é chamado de tolerância imunológica e acarreta a redução dos sintomas alérgicos.

Porque a imunoterapia é considerada pela OMS como o único procedimento capaz de mudar o curso de uma doença alérgica ?

Uma vez que o individuo se tornou alérgico a determinada substância, sempre que seu organismo entrar em contato com ela, irá reagir. Todos os remédios para tratar a alergia,  atuam reduzindo os sintomas de alergia. Mas, nenhum remédio diminui a alergia, a sensibilidade que o individuo tem em relação á sustância que ele é alérgico. Quando para de fazer uso desses medicamentos, ele volta a reagir e a apresentar os sintomas coma mesma intensidade. A imunoterapia (vacinas com alérgenos ),  porém , atua diminuindo essa sensibilidade alérgica. Ela interfere nos mecanismos imunológicos que produzem as reações, levando o indivíduo a não reagir quando em contato com a substância á qual ele é alérgico.  Passa a tolerar o contato com a substância sem reagir. O prolongamento da imunoterapia pelo tempo adequado (3 a 5 anos) consolida essa tolerância, deixa de ter sensibilidade e de reagir ao alérgeno. De tal forma que quando se completa o tratamento, a pessoa continua sem os sintomas de alergia por muitos anos ou pela vida toda.

Qual o perfil de paciente que pode se submeter á imunoterapia? Em quais situações ela é indicada?

É indicada para os casos de alergia em que o paciente não pode ou não consegue evitar o contato com a substância alergênica. Além disso, depende do tipo de mecanismos envolvido na reação alérgica. Existem quatro mecanismos de reações alérgicas(de hipersensibilidade). As reações do tipo 1 ou do tipo imediato, que são medidas por ´´IgE´´, são as que respondem bem á imunoterapia.

(IgE é o principal tipo de anticorpo que intermedia as reações alérgicas) . São as reações em que os sintomas surgem minutos após a exposição ao alérgeno:  alergia respiratória (rinite e asma), a veneno e insetos e algumas formas de alergia alimentar.

Como a imunoterapia é eficiente?

O alérgeno tem que ser identificado, por meio dos teste alérgicos, que são mais sensíveis ; ou por exame de sangue, que dosa os níveis de IgE específica para os alérgenos suspeitos. A imunoterapia deve ser feita com o alergeno identificado para aquele individuo. Em principio, qualquer paciente pode ser submetido á imunoterapia para alergia. Existem poucas restrições relacionadas á idade e a doenças associadas que podem limitar o uso da imunoterapia. Existem outros tipos de alergia, mediadas por outros mecanismos, como ade contato e grande parte das alergias a medicamentos e a alimentos que não respondem porque o mecanismo que envolve essas reações não é do Tipo 1, mediado por IgE.

As vacinas com alérgenos não podem ser aplicadas como forma isolada de tratamento, correto ?

O tratamento imnuterápico demora a fazer eefeito, a mostrar resultados e, por isso, o paciente deve ser orientado a usar concomitantemente medicamentos que controlem os sintomas. Especialmente na alergia respiratória, tanto a rinite quanto a asma provocam uma inflamação crônica da mucosa respiratória que é responsável pela instensidade e manutenção dos sintomas, além de contribuir para uma maior reatividade: facilidade de reagir a mínimos estímulos. Por isso principalmente nessas alergias os indivíduos devem ser tratados também com medicamentos para controlar e reduzir inflamação alérgica da mucosa. Os corticoides inalados são os melhores anti-inflamatórios para esses casos, pois contribuem para a redução da frequência e gravidade das crises. Devem ser usados por longos períodos, até que a imunoterapia vá sendo consolidada e controlada a alergia.

Quais outras medidas preventivas são necessárias ?

As medidas de prevenção e controle do ambiente também são importantíssimas: quanto menos alérgeno em contato com o paciente, menos reações. Os pacientes também devem ser orientas a reconhecer os sinais precoces das crises e do seu agravamento. Nas reações graves (asma grave ou reações anafilática a picada de insetos), o paciente tem que saber usar e portar consigo uma medicação de resgate, que aborte ou reduza a instensidade da crise, até que ele consiga socorro médico. Um broncodilatador spray                                ( ´´bombinha´´) , nos casos de asma, e adrenalina, nos casos de anafilaxia; tudo faz parte do ´´plano de tratamento´´.

Existem contraindicações ?

Sim, em geral não se deve indicar imunoterapia em pacientes com doença em que o risco de morte seria maior caso ocorressem reações graves á vacina, que pudessem evoluir para anafilaxia. São os casos dos pacientes com doenças cardíacas grave, hipertensão arterial grave e mal controlada e pacientes com capacidade respiratória muito diminuída . O uso de certos medicamentos também também pode ser uma contraindicação. A presença de câncer ou de doença autoimune mal controlada podem contra-indicar a imunoterapia: manipular o sistema imune desses pacientes com as vacinas poderia prejudicar o controle dessas doenças: depende da avaliação dos especialistas envolvidos. Pacientes com distúrbio mental grave podem inviabilizar a aplicação das vacinas, impedindo assim a imunoterapia.

Como a imunoterapia é aplicada ?

É aplicada por meio de injeções periódicas, por vias subcutânea. É um método de comprovada eficácia, demonstrada por muitos estudos há muitos anos. Nos últimos anos, surgiram vários estudos mostrando que a imunoterapia por via sublingual pode ser tão eficaz quanto a via subcutânea para a alergia respiratória. Porém, a quantidade de antígenos por via sublingual tem que ser muito maior e purificado, o que pode inviabilizar o tratamento devido ao custo. No Brasil, ainda não há estudos sobre a qualidade e a eficácia do material para imunoterapia sublingual aqui comercializado. Para a alergia a veneno de insetos a via é sempre subcutânea. Já na alimentar, a imunoterapia começou há poucos anos, ainda de forma experimental, mas, os estudos mostram que a via oral é a mais eficaz. Outras formas de imunoterapia estão em estudos para o futuro. Quanto  á programação e supervisão, essa deve ser feita sempre por um médico especialista em alergia. Só ele é devidamente treinado para conduzir o tratamento com sucesso e sem riscos.

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