Centro de Pneumologia e Alergia do Ceará http://pneumologiaealergiace.com.br Mon, 31 Jul 2017 17:17:41 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.6.3 Dicas e cuidados para pessoas que sofrem com doenças alérgicas http://pneumologiaealergiace.com.br/2016/11/01/dicas-e-cuidados-para-pessoas-que-sofrem-com-doencas-alergicas/ Tue, 01 Nov 2016 19:01:47 +0000 http://pneumologiaealergiace.com.br/?p=1844 Baixa umidade pode agravar sintomas de alergias respiratórias http://pneumologiaealergiace.com.br/2016/09/09/baixa-umidade-pode-agravar-sintomas-de-alergias-respiratorias/ Fri, 09 Sep 2016 20:22:21 +0000 http://pneumologiaealergiace.com.br/?p=1793 Entrevista Vida & Saúde http://pneumologiaealergiace.com.br/2016/08/10/entrevista-vida-saude/ Thu, 11 Aug 2016 00:24:29 +0000 http://pneumologiaealergiace.com.br/novo/?p=1669 Campanha mundial alerta sobre alergias e tira dúvidas em shopping de Fortaleza – G1 – Bom Dia Ceará http://pneumologiaealergiace.com.br/2016/04/08/campanha-mundial-alerta-sobre-alergias-e-tira-duvidas-em-shopping-de-fortaleza-g1-bom-dia-ceara/ Fri, 08 Apr 2016 20:40:09 +0000 http://pneumologiaealergiace.com.br/novo/?p=1614 Vira e Mexe – Lorena Madeira fala sobre as alergias http://pneumologiaealergiace.com.br/2016/04/07/vira-e-mexe-lorena-madeira-fala-sobre-as-alergias/ Thu, 07 Apr 2016 20:37:03 +0000 http://pneumologiaealergiace.com.br/novo/?p=1612 A alergologista Lorena Madeira comenta sobre a doença que mais cresce no Brasil e no mundo, as alergias. Como identificar e como proceder em caso de descoberta?

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Dra. Lorena Madeira – Jornal Diário do Nordeste – Carência Imunitária. http://pneumologiaealergiace.com.br/2016/01/26/entrevista-da-dra-lorena-madeira-jornal-diario-do-nordeste-carencia-imunitaria/ Tue, 26 Jan 2016 19:23:16 +0000 http://pneumologiaealergiace.com.br/novo/?p=1607 Seja por pré-disposição genética ou doenças tópicas, é preciso manter a imunidade a fim de evitar infecções

Como funciona o sistema imunológico, quais suas funções e qual o papel dos anticorpos nesse processo?

As superfícies mucosas representam uma extensa área de interface entre os ambientes externo e interno do organismo. Elas agem como uma barreira à entrada de componentes nocivos, mas permitem a troca de gases, a absorção de nutrientes e água, a eliminação de metabólitos (o que resta do metabolismo das substâncias nos organismos vivos). Por isso, as mucosas estão totalmente integradas ao sistema imune. Diariamente, por meio da alimentação, respiração e contato com o ambiente, entramos em contato com grande quantidade e variedade de proteínas e outras moléculas estranhas ao nosso organismo que podem despertar uma resposta imune, além de partículas e micro-organismos potencialmente patogênicos. As mucosas também são povoadas por uma rica microbiota natural (micro-organismos) e não patogênica. O organismo não só convive em perfeita harmonia com essa microbiota, mas também depende dela para digestão de certos componentes da dieta, obtenção de nutrientes, síntese de vitamina k. Essa manutenção de uma ecologia intestinal dificulta a colonização de micro-organismos patogênicos. Portanto, a microbiota exerce papel fundamental no desenvolvimento do sistema imune das mucosas. As células, que constituem o sistema imune, se distribuem ao longo do corpo predominantemente nos órgãos linfoide, considerados centrais (timo e medula óssea) ou periféricos (baço, linfonodos e os tecidos linfoides). O sistema imune nos garante a defesa contra micro-organismos que temos contato, seja direto na pele, inalação pelas vias aéreas ou ingestão durante a alimentação. Ele também pode ser ativado pelas vacinas imunizantes que estimulam a produção de anticorpos evitando as doenças.

“O sistema imune nos garante a defesa contra micro-organismos que temos contato, seja direto na pele, inalação pelas vias aéreas ou ingestão durante a alimentação”, diz a médica Lorena Viana Madeira Foto: KLÉBER ALVES GONÇALVES

Existem pessoas mais predispostas a terem a imunidade mais baixa do que outras? Por quê?

Sim. Existem várias doenças de sistema imune, já reconhecidas em decorrência dos grandes avanços nas áreas de imunologia, biologia molecular e imunogenéticas. Como existem tantas diferentes, as imunodeficiências acabam representando um problema de saúde importante e ocorrem com uma frequência comparável a de leucemia e linfoma, sendo mais frequente que a fibrose cística. Há doenças de imunodeficiência primárias e secundárias. A primária é genética. Assim, o indivíduo já nasce predisposto a tal carência imunológica. Entre as doenças apresentadas, estão as infecções recorrentes na infância, principalmente em crianças que frequentam creches e escolinhas; exposição passiva à fumaça de cigarro; doenças alérgicas; rinite alérgica; asma brônquica; dermatite atópica; defeitos anatômicos; corpo estranho; refluxo gastro-esofágico ou refluxo faringo-laríngeo; fibrose cística. Já as secundárias têm como causas principais: desnutrição; AIDS; uso de medicamentos imunossupressores; enteropatias perdedoras de proteínas (doenças intestinais inflamatórias); síndrome nefrótica (conjunto de sinais e sintomas relacionados a doenças renais); anemia falciforme; asplenia (referente ao não funcionamento do baço); hipovitaminose A; deficiência de zinco, lúpus; neoplasia (câncer); além de queimaduras e fraturas expostas.

Quais os principais sintomas que surgem devido a baixa imunidade e por qual motivo ocorrem?

Os quadros respiratórios são as infecções mais frequentes nos pacientes suspeitos de imunodeficiência e devem ser avaliados com cuidado, pois resultam em complicações como sinusite crônica, otite, mastoidite (infecção no osso temporal mastoide) e bronquites. A bronquiectasia (infecção nos brónquios) pode também se desenvolver precocemente, resultando na eliminação de secreção purulenta e tosse persistente. Quando os sintomas de infecções respiratórias ocorrem com frequência, os quadros alérgicos devem ser investigados. Caracterizam-se por ausência de febre, coriza clara não- purulenta ou outros sintomas alérgicos e história familiar positiva para alergia. Infecções bacterianas graves (pneumonia, septicemia, meningite, osteomielite – inflamação óssea) podem acompanhar os quadros respiratórios dos imunodeficientes. Diarreias, má absorção alimentar, vômitos, por vezes acompanhados de retardo do crescimento e pouco ganho de peso, sugerem a ocorrência de imunodeficiência de maior gravidade. A pesquisa de dados epidemiológicos sugestivos de infecção pelo HIV, como transfusão sanguínea dos pais ou na criança, uso de drogas ou promiscuidade por parte dos pais deve ser sempre incluída. Algumas imunodeficiências são detectadas em crianças aparentemente saudáveis. A hipotrofia dos órgãos linfoides (pouca nutrição dos órgãos que originam as células imunes – linfócitos) também deve ser reconhecida. O fígado e o baço podem estar aumentados. Algumas doenças imunológicas são acompanhadas de anomalias no desenvolvimento da face, esqueletos, coração e pigmentação da pele. Lesões cicatriciais de abscessos cutâneos, micose superficiais persistentes, petéquias (pontos pequenos causados por leves hemorragias) ou rash cutâneo crônico (erupções cutâneas) podem estar associados à imunodeficiência.

Faça uma avaliação dos riscos e benefícios das imunizações (vacinas), nos pacientes com imunodeficiência:

A prescrição de vacinas para os imunocomprometidos deve ser feita com base na avaliação dos riscos e benefícios da imunização. Normalmente, as vacinas são contraindicadas a indivíduos que apresentam doença moderada ou grave, como imunodeficiência congênita combinada ou imunodepressão secundária e quimioterápica, radioterapia ou neoplasias malignas. Nessas condições a administração de vacinas contendo micro-organismos vivos apresenta alto risco com efeitos adversos (incluindo óbito), devido à disseminação dos agentes vivos atenuados. Além disso, na imunodepressão grave, observam-se baixa imunogenicidade (resposta à produção de anticorpos) das vacinas e rápida queda nos títulos de anticorpos. Por outro lado, os imunodeprimidos compõem uma população de altíssimo risco para infecções causadas por diversos micro-organismos. Por isso, mesmo com baixa eficácia, algumas vacinas podem vir a beneficiá-los. Caso das vacinas com agentes vivos (BCG, sabin, sarampo, caxumba, rubéola, varicela, febre amarela, febre tiroide, rotavírus).

Há relação entre baixa imunidade e quadros alérgicos?

Geralmente, as pessoas tendem a achar que pacientes alérgicos têm baixa imunidade. Na verdade, nas doenças alérgicas ocorre uma desorganização do sistema imunológico. Os alérgicos produzem muito o anticorpo E (IgE). Isso leva a um processo inflamatório crônico que pode predispor a infecções de repetição. Então, devemos valorizar os sintomas alérgicos e tratá-los precocemente para evitar complicações. Os pacientes com rinite podem evoluir para sinusite e otite de repetição, pneumonia e aumento de risco de asma. Os pacientes com dermatite atópica podem ter infecções na pele por bactérias, fungos e vírus que pioram as lesões e a coceira da pele. Mas a deficiência seletiva de IgA e deficiência de subclasses de IgG estão frequentemente associadas a quadros alérgicos como asma brônquica. Outras imunodeficiências também cursam com quadros cutâneos e eczemas.

Quais doenças ou síndromes estão associadas à imunodeficiência? Como é possível contornar a imunodeficiência nesses casos?

Para contornar ou melhorar as imunodeficiências secundárias é necessário o reconhecimento e tratamento da doença de base. Muitas imunodeficiências associadas a doenças genéticas e alterações em um único gene ou uma combinação de defeitos podem ser a causa do defeito imunológico. A síndrome de Down apresenta características clínicas conhecidas com chances elevadas de infecções, que sugerem alterações imunológicas: redução da atividade de fagócitos e do número de anticorpos, que podem se originar ao longo da vida, e se assemelhar àqueles presentes no envelhecimento. Nos diabéticos, as principais alterações imunológicas incluem anormalidades na função antibacteriana dos polimorfonucleares, descritas como alterações nas etapas da função fagocitória e função microbicida.

Como a amamentação exclusiva nos primeiros 6 meses do bebê auxiliam na imunidade? Uma dieta inadequada nesse período pode causar problemas futuros de imunodeficiência?

O aleitamento materno protege o lactente durante a vigência da lactação através de uma proteção passiva (anticorpos prontos da mãe para o bebê), diminuindo as infecções, principalmente diarreias agudas e persistentes, septicemias (infecções generalizadas), doenças respiratórias e reduzindo a taxa de mortalidade infantil. Além de produzir efeitos a longo prazo diminuindo o desenvolvimento de alergias. A microflora intestinal da criança amamentada é peculiar. Componentes prebióticos presentes no leite humano estimulam a proliferação de bactérias benéficas, reduzindo o ph intestinal e inibindo a proliferação de bactérias patogênicas. O estabelecimento de uma boa microflora nos primeiros meses de vida tem a capacidade de favorecer a maturação do sistema imune da criança com repercussão a curto e longo prazo. O leite humano apresenta anticorpos contra inúmeros micro-organismos com os quais a mãe entrou em contato durante toda a sua vida (memória imunológica). Então, existe um trânsito de células de defesa com níveis elevados de anticorpo dirigidos aos patógenos (micro-organismos, bactérias e vírus) causadores de gastroenterites e doenças respiratórias. Já uma dieta inadequada nesta fase da vida (primeiros 6 meses) pode não levar a uma imunodeficiência, mas esse recém-nascido pode ser exposto a vírus ou bactérias e, por isso, ter maior risco em adquirir infecções, desenvolver doenças alérgicas crônicas e ter um processo de crescimento com complicações.

O que recomenda para manter a imunidade em boas condições?

Aleitamento materno; vacinação em dia (em recém-nascidos, bebês, crianças, adolescentes, adultos e idosos). Alimentação saudável e atividade física são fundamentais nesse processo, além das formas de prevenção (tratamento de doenças crônicas – anemias, diabetes, desnutrição, doenças alérgicas, cirroses, AIDS, etc). Também é aconselhável evitar a automedicação, a privação do sono e o estresse, sem falar do uso de drogas ilícitas, do tabagismo e do alcoolismo.

SAIBA MAIS

Vitamina A – Sua deficiência leva à diminuição da imunidade celular e da resposta à imunização. A carência de vitamina A está relacionada ao aumento da gravidade e mortalidade por doenças infecciosas.

Vitamina B – A deficiência de vitaB6 está associada às alterações imunológicas em idosos, portadores de HIV, artrite reumatoide e uremia.

Vitamina C- Sua deficiência afeta a imunidade celular (ação leucócitos “soldados brancos”) e humoral (anticorpos).

Vitamina D – É considerada a maestrina da imunidade.

Vitamina E – Protege as células contra toxinas e radicais livres, responsáveis por infecções virais.

FIQUE POR DENTRO

Diferenças entre imunidade inata e adaptativa

Segundo a diretora do Centro de Pneumologia e Alergia do Ceará e da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia, Lorena Viana Madeira, manter a vida dos diferentes seres vivos implica na necessidade de mecanismos de defesa. A capacidade de combater diversos agentes patogênicos é denominada imunidade.

A imunidade inata é aquela em que as células fagocitárias promovem a ingestão do agente patogênico, que gera a desintegração do agente fagocitado, impedindo a disseminação. Ela pode ser potencializada pela via alternativa do complemento (proteínas que produzem reação semelhante à coagulação), atuando como coadjuvante no processo de eliminação dos micro-organismos indesejados. Desse modo, mais células inflamatórias melhoram a agressão ao patógeno (micro-organismo, parasitas, células neoplásicas) e amplificam a capacidade defensiva.

Já a imunidade adaptativa é a habilidade de adaptar-se aos agentes agressores e responder de modo rápido e eficaz a um segundo contato. Essa resposta imune adquirida apresenta um caráter cognitivo, ou seja, aprende com a experiência e tem memória, garantindo longa expectativa de vida. “O sistema imunológico do ser humano depende dos dois ramos: o Inato e o Adaptativo”, diz a presidente da Câmara Técnica de Alergia e Imunologia do Conselho Regional de Medicina do Ceará (CREMEC).

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Avanço no combate ás Alergias! http://pneumologiaealergiace.com.br/2016/01/12/avanco-no-combate-as-alergias/ Tue, 12 Jan 2016 19:20:13 +0000 http://pneumologiaealergiace.com.br/novo/?p=1604 O que procura o paciente ao entrar no consultório do médico alergologista-imunologista? A resposta mais ouvida é ´´a cura da doença alérgica´´. Geralmente, essas pessoas são encaminhadas por outros especialistas, como clínicos, pediatras, otorrinolaringologistas, dermatologistas e até ginecologistas que esgotaram seus métodos terapêuticos. Em outras situações, o próprio paciente faz a procura espontânea, a fim de buscar investigação e tratamento.

Da mesma forma que outras doenças, o diagnostico das alergias se baseia em uma história clinica cuidadosa. A anamnese(historia de doença atual) tem como objetivo descobrir e localizar no tempo e no espaço o tipo de contato com o alérgeno. Ás vezes, pode ser difícil indentificá-lo através de anamnese, principalmente quando se tratam de várias alergias simultaneamente e quando a exposição tem um caráter crônico, tornando difícil sua caracterização.

Existem métodos laboratoriais e testes alérgicos que vem em auxilio do médico, baseado na administração de antígenos(substancias alergênicas), em que se provoca uma pequena reação alérgica localizada. Portanto, é possível reproduzir uma alergia com pequena quantidade do produto suspeito na pele do paciente. Ou mesmo, através de pesquisas no sangue.

Método in vivo

O método in vivo mais utilizado para diagnóstico de alergias são os testes cutâneos. Na prática clinica do alergista, os testes têm representado uma ferramenta diagnóstico primordial. Em geral, podem ser divididos em dois grupos: os de leitura imediata e os de leitura tardia. Sua técnica simples, rapidez na realização, baixo custo e alta sensibilidade explicam sua posição chave na investigação diagnóstica das alergias. ´´Na verdade, até os dias de hoje, ainda não temos disponíveis protocolos ou diretrizes que norteiam a realização desses testes. Sabemos que existem fatores que influenciam no resultado e a idade é um deles. A partir de três meses de idade já se consegue uma reação de papula e eritema com predominância do eritema em ciranças de pouca idade (menores de dois anos de idade). A positividade volta a declinar a partir dos 60 anos´´, explica a alergologista Lorena Madeira. Ela diz ainda que usualmente se faz exames tipo prick ou cutâneo em crianças a partir de dois anos.

Um pré-requisito  para realização de qualquer teste cutâneo é a capacidade da pele reagir normalmente diante do estímulo.  Esta pode ser inibida por medicações, especialmente anti-histamínicos e antidepressivos. Essas drogas devem ser descontinuadas, se possível. As orientações medicas são de que os antialérgicos devem ser suspensos em media sete dias antes do teste cutâneo de leitura imediata.

Os testes de puntura ou prick test podem ser indicados em suspeita de doenças respiratórias alergias (rinite alérgicas ou mistas, asma brônquica, aspergilose bronco pulmonar alergica0, associadas a outras doenças respiratórias como dermatite atópica (eczema), urticária aguda ou crônica, estrófulo( alergia a picada de insetos, alergia a veneno de insetos tipo marimbondo ou vespa e abelha, alergia a alimentos e anafilaxia).

Indicação

A indicação deve ser baseada em uma historia clinica e exame físico  do paciente. Esse exame cutâneo irá confirmar o diagnostico de doenças IgE mediada( anticorpo das doenças alérgicas).

São enumeradas algumas vantagens comparativas entre testes cutâneos em relação dosagem serica de IgE especifica (exame no sangue do paciente).

Teste de puntura

Trata-se de um exame bem mais barato para o paciente e convênios de saúde, com maior sensibilidade, maior número de alérgenos disponíveis, resultado imediato (10 a 20 minutos), tecnicamente mais fácil, boa correlação com a história e Ige sérica especifica.

No caso de não ser possível a realização do teste de putura, pode ser realizada a determinação in vitro da lge específica (sangue0, por meio de ensaios imunoenzimáticos. São métodos mais específicos, porém, menos sensíveis ede maior custo.

´´Os testes cutâneos de leitura imediata e de puntura (prick test) são considerados a melhor ferramenta para diagnóstico das alergias na prática clínica diária, pois são seguros, de fácil execução e boa reprodutividade. É importante no diagnóstico etiológico identificar as doenças alérgicas para determinação do padrão de sensibilização da população e tratamento adequado dessas doenças.

Diagnóstico

Qualquer avaliação diagnóstica deve ser indicada com critérios clínicos, a fim de evitar procedimentos desnecessários. O conhecimento da fisiopatologia das doenças em investigação é essencial para o correto diagnóstico e tratamento.

Imunoterapia

Outro motivo, além dos métodos diagnósticos para o paciente ser encaminhado ou procurar o alergista, é o método específico de tratamento com a Imunoterapia, que são vacinas dessensibilizantes. ´´Vale lembrar que nem todas as alergias podem ser tratadas com vacinas. Sabe-se que as doenças alérgicas são frutos de uma reação exagerada do próprio organismo e a cada ano a alergia é cada vez mais considerada uma epidemia global. Cabe ao alergista determinar e orientar quais pacientes estão indicados á utilização de vacinas dessensibilizantes.´´ diz Dra. Lorena Madeira.

Rinite alérgica

A rinite alérgica ou nasal tem sido apontada de modo universal como uma das principais formas de doença crônica na criança, adolescente e adulto. É a mais prevalente  manifestação de hipersensibilidade dentre as doenças atópicas, afetando de 25% a 35% dos indivíduos, com maior incidência em crianças e adolescentes. Trabalhos recentes mostram que 44% a 87% dos pacientes com rinite alérgica apresentam rinite mista, uma combinação de rinite alérgica e não alérgica. A rinite pode ser apontada como responsável por grande número de falta de trabalho e absenteísmo na escola. ´´ O diagnóstico  e tratamento precoces da rinite são de grande importância do diagnostico precoce através dos testes cutâneos.

Os testes cutâneos alérgicos também são indicados para investigar outras doenças como Conjuntivite Alérgica, Asma Brônquica, Urticária Aguda ou Crônica, Dermatite Atópica (eczema alérgica), Alergia a picada de insetos(mosquitos, vespa, marimbondo, abelha), Alergia alimentar, Alergia á fungos (Candidíase Alérgica de Repetição).

Os testes cutâneos com extratos padronizados apresentam resultado rápido e seguro.

Contraindicações

Estão contraindicados na presença de infecção no local a ser realizado o teste e quando o paciente apresenta sintomas alérgicos exacerbados no momento da realização do exame. Dentre as contraindicações relativas destacam-se os eczemas agudos e crônicos, urticária em atividade, gravidez, doenças sistêmicas, doenças inflamatórias agudas (febre).

Em caso de antecedentes de reações alérgicas graves, como choque anafilático, o teste de puntura(cutâneo) não esta contraindicado, mas seguere-se a realização prévia de dosagem de Ige especifica In vitro (no sangue). O mais importante é que o resultado seja correlacionado com a clínica do paciente e a história de exposição, evitando assim, uma orientação inadequada para o caso.

´´ Não é incomum casos de pacientes que realizam o Rast (exame de alergias no sangue) com positividade para determinado alimento e o paciente nega qualquer reação (sintomas) alérgica, no entanto, esses pacientes começam a fazer uma dieta de exclusão desnecessária. Ou, casos de pessoas que iniciaram a vida com alergia a determinados alimentos e ficam fazendo dieta de exclusão por muitos anos quando algumas alergias alimentares podem desaparecer. As alergias á proteína do leite de vaca e a proteína do ovo, por exemplo, podem desaparecer com o amadurecimento do sistema gastrointestinal e sistema imunológico. Então, 75% das crianças inicialmente alérgicas a esses alimentos, entre os dois e cinco anos, podem ficar bem espontaneamente sem intervenção médica´´. Informa Dra. Lorena.

Por esse motivo os testes podem ser repetidos para decisão de manutenção ou liberação da dieta de exclusão. Alergias a crustáceos, peixes e amêndoas tendem a ser definitivas. ´´Existem raros casos de resolução dessas alergias, mas devem ser cautelosamente avaliados.´´

Indicações das vacinas.

Nem todas as alergias podem ser tratadas com vacinas dessensibilizantes. Cabe ao alergista determinar e orientar quais pacientes estão indicados. A indicação deve considerar a gravidade e a duração dos sintomas. A gravidade pode ser avaliada por sintomas objetivos e subjetivos, assim como seu impacto na qualidade de vida. Deve-se também considerar o desejo do paciente de evitar ou reduzir o tratamento medicamentoso prolongado.

A imunoterapia provoca uma tolerância ás substâncias que inicialmente provocam reação de hipersensibilidade . Consiste na aplicação de quantidades gradualmente maiores de um extrato alergênico (Padronizado) a um paciente alérgico com intuito de melhorar os sintomas associadosá exposição subsequente a esse alergênico. É considerado o único tratamento que modifica a história natural das doenças alérgicas, sendo potencialmente curativo para as alergias.

O tempo de tratamento orientado pela ASBAI( Associação Brasileira de Alergia e Imunologia) é de três a cinco anos. ´´Importante saber que mesmo após a interrupção o resultado da dessensibilização é sustentável na grande maioria dos pacientes que concluírem o tratamento´´.

A adesão ao tratamento das alergias é fundamental para a sua eficácia. Todos os esforços devem ser tomados no sentido de educar o paciente  para aumentar sua obediência  (manutenção) ao tratamento. Alguns quando percebem a melhora decidem por conta própria interromper as vacinas.  Isso deve ser desestimulado, pois a interrupção antes do tempo necessário leva mais cedo ou mais tarde ao retorno retorno dos sintomas. Dependendo do tempo de interrupção terá que ser reavaliado para decidir qual dose e concentração do retorno ao tratamento.´´ Conclui

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Imunoterapia diminui a sensibilidade alérgica http://pneumologiaealergiace.com.br/2016/01/11/imunoterapia-diminui-a-sensibilidade-alergica/ Mon, 11 Jan 2016 19:16:50 +0000 http://pneumologiaealergiace.com.br/novo/?p=1601 Pacientes devem reconhecer os sinais precoces das crises alérgicas, alerta José Luiz Rios, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia.

O que é imunoterapia e quais os objetivos dessa abordagem ?

É um tratamento que visa modular o sistema imunológico, quer seja para estimulo a combater um câncer ou uma infecção, ou para dessensibilizá-lo para que ele deixe de reagir contra substâncias que não  são nocivas ao organismo (ex: alergias). Em relação á alergia, a imunoterapia é o tratamento por meio do qual, doses progressivamente maiores de uma substância alergênicas (alergeno), são administradas a um paciente alérgico a essas substância, com o intuito de estimular o desenvolvimento de uma tolerância e, assim, diminuir a sua alergia a tal substância. Isso é chamado de tolerância imunológica e acarreta a redução dos sintomas alérgicos.

Porque a imunoterapia é considerada pela OMS como o único procedimento capaz de mudar o curso de uma doença alérgica ?

Uma vez que o individuo se tornou alérgico a determinada substância, sempre que seu organismo entrar em contato com ela, irá reagir. Todos os remédios para tratar a alergia,  atuam reduzindo os sintomas de alergia. Mas, nenhum remédio diminui a alergia, a sensibilidade que o individuo tem em relação á sustância que ele é alérgico. Quando para de fazer uso desses medicamentos, ele volta a reagir e a apresentar os sintomas coma mesma intensidade. A imunoterapia (vacinas com alérgenos ),  porém , atua diminuindo essa sensibilidade alérgica. Ela interfere nos mecanismos imunológicos que produzem as reações, levando o indivíduo a não reagir quando em contato com a substância á qual ele é alérgico.  Passa a tolerar o contato com a substância sem reagir. O prolongamento da imunoterapia pelo tempo adequado (3 a 5 anos) consolida essa tolerância, deixa de ter sensibilidade e de reagir ao alérgeno. De tal forma que quando se completa o tratamento, a pessoa continua sem os sintomas de alergia por muitos anos ou pela vida toda.

Qual o perfil de paciente que pode se submeter á imunoterapia? Em quais situações ela é indicada?

É indicada para os casos de alergia em que o paciente não pode ou não consegue evitar o contato com a substância alergênica. Além disso, depende do tipo de mecanismos envolvido na reação alérgica. Existem quatro mecanismos de reações alérgicas(de hipersensibilidade). As reações do tipo 1 ou do tipo imediato, que são medidas por ´´IgE´´, são as que respondem bem á imunoterapia.

(IgE é o principal tipo de anticorpo que intermedia as reações alérgicas) . São as reações em que os sintomas surgem minutos após a exposição ao alérgeno:  alergia respiratória (rinite e asma), a veneno e insetos e algumas formas de alergia alimentar.

Como a imunoterapia é eficiente?

O alérgeno tem que ser identificado, por meio dos teste alérgicos, que são mais sensíveis ; ou por exame de sangue, que dosa os níveis de IgE específica para os alérgenos suspeitos. A imunoterapia deve ser feita com o alergeno identificado para aquele individuo. Em principio, qualquer paciente pode ser submetido á imunoterapia para alergia. Existem poucas restrições relacionadas á idade e a doenças associadas que podem limitar o uso da imunoterapia. Existem outros tipos de alergia, mediadas por outros mecanismos, como ade contato e grande parte das alergias a medicamentos e a alimentos que não respondem porque o mecanismo que envolve essas reações não é do Tipo 1, mediado por IgE.

As vacinas com alérgenos não podem ser aplicadas como forma isolada de tratamento, correto ?

O tratamento imnuterápico demora a fazer eefeito, a mostrar resultados e, por isso, o paciente deve ser orientado a usar concomitantemente medicamentos que controlem os sintomas. Especialmente na alergia respiratória, tanto a rinite quanto a asma provocam uma inflamação crônica da mucosa respiratória que é responsável pela instensidade e manutenção dos sintomas, além de contribuir para uma maior reatividade: facilidade de reagir a mínimos estímulos. Por isso principalmente nessas alergias os indivíduos devem ser tratados também com medicamentos para controlar e reduzir inflamação alérgica da mucosa. Os corticoides inalados são os melhores anti-inflamatórios para esses casos, pois contribuem para a redução da frequência e gravidade das crises. Devem ser usados por longos períodos, até que a imunoterapia vá sendo consolidada e controlada a alergia.

Quais outras medidas preventivas são necessárias ?

As medidas de prevenção e controle do ambiente também são importantíssimas: quanto menos alérgeno em contato com o paciente, menos reações. Os pacientes também devem ser orientas a reconhecer os sinais precoces das crises e do seu agravamento. Nas reações graves (asma grave ou reações anafilática a picada de insetos), o paciente tem que saber usar e portar consigo uma medicação de resgate, que aborte ou reduza a instensidade da crise, até que ele consiga socorro médico. Um broncodilatador spray                                ( ´´bombinha´´) , nos casos de asma, e adrenalina, nos casos de anafilaxia; tudo faz parte do ´´plano de tratamento´´.

Existem contraindicações ?

Sim, em geral não se deve indicar imunoterapia em pacientes com doença em que o risco de morte seria maior caso ocorressem reações graves á vacina, que pudessem evoluir para anafilaxia. São os casos dos pacientes com doenças cardíacas grave, hipertensão arterial grave e mal controlada e pacientes com capacidade respiratória muito diminuída . O uso de certos medicamentos também também pode ser uma contraindicação. A presença de câncer ou de doença autoimune mal controlada podem contra-indicar a imunoterapia: manipular o sistema imune desses pacientes com as vacinas poderia prejudicar o controle dessas doenças: depende da avaliação dos especialistas envolvidos. Pacientes com distúrbio mental grave podem inviabilizar a aplicação das vacinas, impedindo assim a imunoterapia.

Como a imunoterapia é aplicada ?

É aplicada por meio de injeções periódicas, por vias subcutânea. É um método de comprovada eficácia, demonstrada por muitos estudos há muitos anos. Nos últimos anos, surgiram vários estudos mostrando que a imunoterapia por via sublingual pode ser tão eficaz quanto a via subcutânea para a alergia respiratória. Porém, a quantidade de antígenos por via sublingual tem que ser muito maior e purificado, o que pode inviabilizar o tratamento devido ao custo. No Brasil, ainda não há estudos sobre a qualidade e a eficácia do material para imunoterapia sublingual aqui comercializado. Para a alergia a veneno de insetos a via é sempre subcutânea. Já na alimentar, a imunoterapia começou há poucos anos, ainda de forma experimental, mas, os estudos mostram que a via oral é a mais eficaz. Outras formas de imunoterapia estão em estudos para o futuro. Quanto  á programação e supervisão, essa deve ser feita sempre por um médico especialista em alergia. Só ele é devidamente treinado para conduzir o tratamento com sucesso e sem riscos.

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Medicina do Sono http://pneumologiaealergiace.com.br/2015/09/09/medicina-do-sono/ Wed, 09 Sep 2015 20:13:11 +0000 http://pneumologiaealergiace.com.br/novo/?p=1596 Dormimos em média um terço da nossa vida. Iniciamos a vida dormindo dezesseis horas e na sociedade ocidental, no indivíduo adulto, a quantidade de sono nas vinte e quatro horas diárias varia em média de sete a oito horas. O sono apresenta várias funções: restaurativa (trazer o organismo de volta à condição em que se iniciou o dia após a jornada de obrigações que se tem no decorrer dele), controle da temperatura corporal, consolidação da memória e aprendizado e repouso para o organismo. Além disso, alguns hormônios são fortemente influenciados pelo sono, são eles: insulina, que controla as taxas de glicose no sangue, leptina e grelina, que juntos controlam o apetite, hormônios da tireoide, corticoides produzidos pelo organismo, hormônio do crescimento, prolactina, que controla a produção de leite, dentre muitos outros, explicando porque quem não dorme bem tem mais tendência a engordar, aumentar as taxas de gordura e açúcares no sangue, não crescer adequadamente, não conseguir amamentar bem, ter pressão arterial mais alta, ter maior risco de doenças cardíacas e vasculares, destacando-se acidente vascular cerebral, infarto agudo do miocárdio, impotência sexual, dentre outros problemas.

Uma vez que são tantas e tão importantes as funções do sono, fica fácil entender a existência de várias doenças relacionadas ao sono: ronco e apneia do sono, insônia, bruxismo do sono, narcolepsia, parassonias (sonambulismo, terror noturno, falar dormindo, pesadelos,etc), movimentos periódicos dos membros durante o sono, síndrome das pernas inquietas, dentre muitas outras.

A Medicina do Sono estuda as funções do sono, os seus distúrbios e o impacto destes distúrbios na vida dos indivíduos. Entender o sono, seus processos e funções, é a espinha dorsal da medicina do sono, um ramo que reúne as contribuições multidisciplinares de diversas especialidades médicas, tais como a psiquiatria, odontologia, pediatria e otorrinolaringologia. A Medicina do Sono engloba todas as questões relativas ao comportamento humano durante o sono, em contraste com o comportamento típico do estado de vigília.
A Medicina do Sono é relativamente jovem. Como uma disciplina formal, ocorre no início do século XX, especificamente nos anos trinta, marcada por um progressivo desenvolvimento tecnológico, que permitiu uma abordagem mais objetiva para o estudo do sono longe dos primeiros conceitos filosóficos.

Estudos da atividade elétrica durante o sono levaram à introdução de técnicas depolissonografia, que representa o padrão-ouro em medicina do sono para o diagnóstico e acompanhamento de pacientes com distúrbios do sono. O exame permite testar durante o sono os potenciais elétricos da atividade cerebral, dos batimentos cardíacos, os movimentos dos olhos, a atividade muscular, o esforço respiratório, a saturação de oxigênio no sangue, o movimento das pernas e outros parâmetros.

O sono é uma função biológica fundamental em nossas vidas. Vários estudos já demonstraram sua grande importância, mas ele é ainda mais indispensável para os adolescentes, pois é durante o sono que o organismo produz alguns hormônios. Entre eles, o mais importante para os adolescentes é o do crescimento, o GH, secretado no primeiro terço da noite tanto nas crianças quanto nos adultos. O GH é essencial para o crescimento dos ossos e músculos. Então, a antiga lenda que a criança cresce enquanto dorme já é um fato comprovado. Foi demonstrado cientificamente que o adolescente passa por alterações hormonais que fazem com que o seu ciclo de sono fique alterado. Assim, é comum o adolescente sentir sono durante o período da manhã e tornar-se alerta a partir do meio da tarde. A falta de sono e fadiga também podem causar várias alterações do comportamento. Pode levar a alterações de humor e uma sensibilidade maior. Problemas crônicos de sono podem ter impacto negativo no funcionamento da criança e da família. Tanto a qualidade como a quantidade adequada de sono da criança são fundamentais, pois geram consequências ao seu funcionamento físico, emocional, cognitivo e social. Além disso, problemas de sono podem exacerbar transtornos médicos, psiquiátricos e de desenvolvimento do pequeno. Crianças e adolescentes com sono inadequado podem apresentar sonolência diurna excessiva, cansaço, dificuldade de concentração, aprendizado e mal humor. Crescem menos, são mais sedentários e mais propensos à obesidade.

Desta forma, é preocupante o dado de que as crianças hoje em dia não estão dormindo o suficiente. Fatores da atualidade como a menor supervisão dos pais, violência, envolvimento excessivo das crianças em atividades acadêmicas, sociais e atléticas, rotina de trabalho dos pais, interferência de itens de mídia (como televisão, internet, vídeo games e celulares), são conflitantes com uma quantidade suficiente de sono e até mesmo com a qualidade do mesmo.

As doenças do sono nas crianças têm sintomas e sinais específicos que se modificam com o crescimento: os problemas relacionados com a maturação do sistema sono-vigília são comuns nos primeiros anos de vida; nas crianças e nos adolescentes os problemas relacionados com a privação crônica de sono têm consequências possivelmente mais graves que no adulto; as parassonias são em geral mais frequentes na infância, tendendo a desaparecer na idade adulta.  Um dos aspectos característicos do sono da criança é a sua repercussão sobre o próprio e sobre os pais ou cuidadores, sendo, quando perturbado, uma causa frequente de desestabilização de dinâmica familiar.

O aumento da expectativa de vida, o crescimento da população de idosos no mundo e a tendência do aumento da ocorrência de distúrbios de sono nesta fase da vida fazem com que este campo tenha crescente importância na Medicina do Sono. Estima-se que estes transtornos afetem em torno de 50% das pessoas com mais de 65 anos, ou seja, a maioria apresenta alterações na qualidade do sono com dificuldades em começar a dormir, sono entrecortado, fragmentado ou muito superficial. Nos idosos não são raros os casos de inversão do dia pela noite (acordado à noite e sonolento de dia).

 Os especialistas têm controvérsias sobre quais alterações do sono do idoso são normais e aquelas decorrentes de doenças comuns neste período da vida. Mesmo nos idosos que não apresentam problemas de sono, doenças neurológicas ou psiquiátricas, podem ser observadas modificações no seu hábito de dormir consideradas normais para a idade.

 A insônia no idoso precisa de uma avaliação criteriosa de suas causas, evitando-se a automedicação, que pode se tornar perigosa ao mascarar sintomas de outras doenças e devido aos efeitos colaterais dos medicamentos usados.

A prevalência da síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono aumenta com a idade, tanto por se tratar de uma condição progressiva, como por alguns fatores do próprio envelhecimento contribuírem para sua instalação. Essa síndrome é caracterizada pela obstrução parcial ou total das vias aéreas durante o sono, e os sintomas mais comuns são ronco, episódios visíveis de interrupção da respiração e sono excessivo durante o dia. A fragmentação da arquitetura do sono provoca cansaço, dificuldade de permanecer acordado durante atividades sedentárias, como conversas telefônias ou dirigir automóvel, irritabilidade, depressão, redução da libido, impotência sexual e cefaleia pela manhã. A síndrome está associada a aumento na incidência de infartos do miocárdio, derrames cerebrais e arritmias cardíacas. Hipertensão arterial é encontrada em 70 a 90% dos que sofrem de apneia do sono, e a mortalidade entre os portadores da síndrome é significativamente mais alta entre os que não recebem tratamento adequado.

A síndrome da apneia e hipopneia obstrutiva do sono também pode ser encontrada na faixa pediátrica.  Cerca de 10% das crianças roncam, mas somente cerca de 1 a 3% das crianças que roncam têm apneia do sono. Amígdalas e/ou adenoides grandes representam o principal fator de risco para a síndrome em crianças. Outros fatores incluem: obesidade, problemas de tônus muscular, síndromes genéticas, anormalidades da face ou da garganta, problemas no controle da respiração e história familiar.

Dessa forma, dormir bem é muito importante para se manter a saúde, e jamais se deve encarar o sono como perda de tempo como muitas pessoas fazem. Se você tem problemas com seu sono, não perca tempo, procure seu médico.

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Aplicações da Nasofibrolaringoscopia http://pneumologiaealergiace.com.br/2013/08/08/aplicacoes-da-nasofibrolaringoscopia/ Thu, 08 Aug 2013 20:07:55 +0000 http://pneumologiaealergiace.com.br/novo/?p=1578 A Videonasofibrolaringoscopia é um exame diagnóstico no qual se utiliza uma fibra ótica endoscópica flexível de pequeno diâmetro, que é introduzida pela abertura do nariz (fossa nasal) e progride até a garganta (visualizando a faringe e laringe).

Com esta visualização, observam-se as estruturas que compõem a cavidade nasal, a faringe e a laringe com seu movimento durante a respiração e a produção da voz.

No nariz observam-se desvios do septo nasal, aumento das conchas nasais (“carnes esponjosas”), sinais de alergia nasal, secreções, sinusites, tumores como polipose nasal, pólipo de Killian, angiofibroma, câncer.

Indicado para pacientes com queixa de obstrução nasal (entupimento nasal), espirros, prurido, secreções, sangramento nasal, cefaleia, respirador oral, ronco, apneia do sono.

Na faringe, observam-se o tamanho da tonsila faríngea (aumento da adenoide em crianças), o tamanho das tonsilas palatinas (amigdalas), tamanho da tonsila lingual, câncer.O exame também é indicado para pacientes com queixa de ronco, apneia/hipopneia do sono (parada respiratória), respirador oral, dor de garganta frequente, mudança na voz, rouquidão, pigarro, tosse crônica, refluxo, engasgos.

 Na laringe observam-se nas pregas vocais (ou cordas vocais): nódulos (calos), pólipos, edemas, cistos, fendas, tumores, câncer, paralisias, granulomas.

José A. Patrocinio cita em seu artigo – Nasofibroscopia na infância – que “a obstrução nasal é uma das queixas mais frequentes no consultório do otorrinolaringologista. Existe uma certa dificuldade em se diagnosticar a causa dessa obstrução; entretanto, com o advento da endoscopia flexível, a nasofibroscopia tornou-se o exame de eleição para avaliação e diagnóstico das patologias das vias aéreas superiores. Esse exame, comparado às radiografias de cavum, sem dúvida tem uma sensibilidade superior”.

Segundo Ângela B. F. Fomin et al, no artigo científico –  Nasofibroscopia para o diagnóstico dos agravos da rinite alérgica em crianças e adolescentes-, publicado na Revista Brasileira de Alergia e Imunopatologia,  a indicação da nasofibroscopia possibilitou a detecção de inúmeras alterações e agravos associados à rinite alérgica, não visualizados ao exame físico rotineiro”.  O diagnóstico dos agravos associados à rinite alérgica desenvolveu-se a partir de 1980, após a introdução da nasofibroscopia. Com a utilização deste procedimento, o examinador foi capaz de identificar estruturas anatômicas com precisão, visualizar a cavidade nasal sob amplo ângulo de visão e iluminação adequada, facilitando o diagnóstico correto e, conseqüentemente, o tratamento adequado. O uso do endoscópio para o exame da cavidade nasal revolucionou o diagnóstico e tratamento das doenças associadas à rinite alérgica, permitindo a visualização de estruturas não avaliadas pelos exames tradicionais, resultando em diagnóstico e tratamento mais adequados (Silberman HD, Wilf H, Tucker JA. Flexible fibe-roptic nasopharyngolaryngoscope. Ann Otorhino-laryngol. 1976;85:640-5.). O crescimento do tecido adenoidano tem indicado, com freqüência, a realização da nasofibroscopia. A valorização dos achados do exame associada à otite serosa, sinusites de repetição e obstrução nasal grave podem indicar de forma mais precisa a adenoidectomia (Position Paper of the European Academy of Allergology and Clinical Imunology. Allergy. 1993;48:(Suppl 14)9-35).

Em face do exposto, podemos perceber as inúmeras aplicações e indicações do exame, sendo considerado um exame imprescindível na rotina clínica do Centro de Pneumologia e Alergia do Ceará, referência em doenças alérgicas, respiratórias e distúrbios do sono.

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